A toxicidade dos “metais pesados”

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A atividade industrial, entendida como transformação de recursosnaturais em bens úteis à sociedade, vem provocando impactos ambientais significativos, tanto como consumidora de recursos naturais não-renováveis quanto como agente poluidor. Porém, nos últimos anos a questão ambiental vem despertando na sociedade uma conscientização e gerenciamento muito grande.

Talvez uma das maiores preocupação para este século XXI seja a água. A partir da Revolução Industrial até os dias atuais, a poluição das águas ocorreu a um ritmo assustador. O número de substâncias nocivas lançadas nos rios é altíssima, principalmente nas áreas urbanas e industrializadas. Deve-se ressaltar a distribuição de “metais pesados”  nos lixos industrial e doméstico.  O problema de  metais no ambiente é sua quantidade é forma. Por exemplo a Cr3+ não apresenta toxidez, entre o Cr6+ poder provocar o câncer. Quanto absorvido pelo corpo humano, alguns desses elementos, podem interagir as moléculas do corpo e mudarem de forma. O Hgo ao ser absorvido se transforma em metil e/ou etil mercúrio, duas formas letais ao corpo humano.

Dependendo das condições físicas e químicas do ambiente, os metais podem mudar seu estado de oxidação, formar complexo ou mesmo precipitarem. Deve ser esclarecido também que muitos metais exercem função biológica nos diversos organismos do planeta. A Tabela abaixo mostra algumas propriedades importantes dos metais pesados e suas toxicidades.

 

 

Metal

Função biológica Toxicidade
Al O Al é importante para a formação da matriz óssea e mineralização, sendo responsável pelo metabolismo do cálcio. Provoca intoxicações agudas em pessoas com insuficiência renal, que não consegue excretar o elemento. Pacientes com Mal de Alzheimer apresentam depósitos de sais de alumínio no cérebro. Embora tóxico, uma parte seja normalmente eliminad acom facilidade pelo organismo.
As Nenhuma conhecida em humanos No organismo humano, o As (inorgânico e orgânico) é rapidamente excretado pelo fígado e pelos rins. As formas orgânicas do As não são tóxicas a saúde. Os sinais e sintomas causados diferem entre indivíduos, grupos populacionais e áreas geográficas, podendo variar desde lesões de pele, problemas respiratórios, doenças cardiovasculares e distúrbios neurológicos até vários tipos de câncer
Ba Nenhuma conhecida em humanos Provoca constrição dos vasos sangüíneos elevando a pressão arterial. Afeta o coração e o sistema nervoso
Cd Nenhuma conhecida em humanos Moderadamente tóxico para todos os organismos. É um veneno cumulativo em mamíferos. No homem, causa distúrbio renal e está possivelmente associado à hipertensão. Substitui o Zn em algumas enzimas, impedindo a sua atuação.
Co Componente da vitamina B12 . Esta vitamina é essencial para a maturação das hemácias e funcionamento normal de todas as células. Muito tóxico para plantas. Alta ingestão de Co inorgânico em dietas animais produz policitemia (produção em excesso de hemácias) e aumento do volume sangüíneo
Cr Essencial para o metabolismo de lipídeos, glicose e proteínas. Altamente tóxico como Cr6+ (carcinogênico) e moderadamente tóxico como Cr3+. Ao Cr está associado o desenvolvimento de úlceras e predisposição à carcinogênese.
Cu Essencial para o metabolismo celular, transporte de ferro e constituinte de diversas enzimas tais como: ceruloplasmina (carreia o Fe2+ armazenado para o local de síntese da hemoglobina) e superóxido dismutase (protege a célula da lesão oxidativa produzida por superóxidos). Muito tóxico para as plantas; altamente tóxico para invertebrados, moderadamente para mamíferos. A toxicidade crônica ocorre principalmente em portadores de insuficiência renal sob hemodiálise. Manifesta-se por disfunção e lesão hepatocelular.
Fe Exerce a função como elemento estrutural do grupo heme na hemoglobina, proteína responsável pelo transporte do O2 e do CO2 no sangue. O excesso de Fe no organismo ocasiona a hemocromatos que se caracteriza por pigmentação amarelada na pele, lesão pancreática com diabetes, cirrose hepática, incidência elevada de carcinoma hepático.
Mn É um componente de várias enzimas inclusive da superóxido dismutase mitocondrial. Ativa muitas enzimas que também pode ser ativadas pelo Mg. Ao Mn está associada à formação do tecido conjuntivo e ósseo, crescimento e reprodução e metabolismo de carboidratos e lipídeos. Moderadamente tóxico. O excesso de Mn que se acumula no fígado e no sistema nervoso central, produz os sintomas característicos do Mal de Parkinson.
Ni Pode funcionar como um co-fator ou componente estrutural de enzimas. Muito tóxico para a maioria das plantas e moderadamente tóxico para mamíferos. Está associado predisposição à carcinogênese.
Pb Nenhuma conhecida. Muito tóxico para a maioria das plantas, é um veneno cumulativo em mamíferos. Um dos sintomas do envenenamento por Pb é a anemia. Afeta praticamente todos os órgãos (principalmente o fígado e os rins) e sistemas (nervoso central, cardiovascular, reprodutor masculino e feminino) do corpo humano.
V É pouco conhecida a função biológica. Provavelmente é um importante co-fator no controle de reações enzimáticas. O acúmulo de V no organismo resulta, principalmente, na irritação do sistema respiratório. Entretanto, a absorção de V pelo organismo está associada a desordens neurológicas características do Mal de Alzheimer
Zn Essencial para todos os organismos. Participa de reações que envolvem ou a síntese ou a degradação de metabólitos tais como: carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucléicos. Moderada a ligeiramente tóxico. Sintomas de toxicidade incluem: náusea, vômito, dor epigástrica, diarréia, tontura, anemia, febre e distúrbios do sistema nervoso central.

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