O plástico está envenenando nossos filhos

Normalmente espera-se que aquele plástico que nós usamos no nosso dia a dia causa problemas de poluição física nos corpos d’água em praticamente todo o nosso planeta. Todavia será uma exposição a eles não prejudicaria a saúde? Essa questão vem sendo estudada por muitos pesquisadores e recentemente descobriu-se vestígios de um produto químico sintético chamado Bisfenol A (BPA) em 80% de adolescentes estudados. O BPA é adicionado ao plástico para produzir plástico de policarbonato, usado na fabricação de materiais robustos e resistentes a impactos para tudo, desde embalagens de alimentos e bebidas até caixas de DVD e dispositivos médicos. Criado em 1891, foi usado comercialmente desde a década de 1950 e agora é um dos produtos químicos mais produzidos no mundo, com 3,6 bilhões de toneladas de BPA geradas a cada ano. O problema é que o BPA pode ser ingerido ou absorvido através do contato com a pele, o que significa que os seres humanos são regularmente expostos através da lixiviação química das embalagens em alimentos e bebidas – e nos últimos 20 anos diversos estudos ligaram o BPA a uma variedade de efeitos adversos para a saúde. As maiores preocupações têm sido o impacto nos fetos e crianças jovens, que têm sistemas subdesenvolvidos para produtos químicos desintoxicantes – as conseqüências são que quanto mais jovens você é, maiores são os níveis de BPA no seu corpo. Uma vez no corpo humano, BPA imita a ação do hormônio estrogênio e perturba o sistema endócrino – as glândulas que produzem hormônios que regulam, entre outras coisas, o metabolismo, o crescimento, a função sexual e o sono. Estudos que examinam os efeitos de doses muito elevadas de BPA em camundongos demonstram que esse composto pode causar problemas na função hepática e renal e no desenvolvimento de glândulas mamárias. Embora esses estudos envolvam doses muito mais elevadas do que a população em geral seria exposta, há preocupações de que os níveis de BPA que se acumulam em bebês ainda podem ter conseqüências adversas no desenvolvimento, levando a anormalidades neurocomportamentais e imunitárias. Esse problema levou a Food and Drug Administration (FDA) a proibir o uso de BPA em frascos de bebês e copos alimentares infantis.

Fonte: The Guardian