Quantas pessoas um cientista pode salvar ou matar?

As plantas, pilar de nossa subsistência, para crescerem precisam de nutrientes, dentre os quais se destacam o nitrogênio, fósforo e potássio. Especificamente o nitrogênio que é um gás extremamente estável e muito abundante na superfície terrestre,  não pode absorvido dessa forma pelas plantas. Na natureza existem bactérias capazes de capturar o gás nitrogênio e convertê-lo em nitritos, nitratos, amônio, formas facilmente absorvidos pelas plantas. Com a explosão populacional a falta de alimento era um problema de ordem mundial. No começo do século XX o genial Fritz Haber, juntamente com Carl Bosh,  desenvolveram um método capaz de fazer o nitrogênio do ar reagir, e formar a amônia:

N2(g) + 3H2(g) → 2NH3(g)

A amônia posteriormente pode ser usada para formar íons amônio, e ácido nítrico, de onde podemos obter os tão importantes nitratos. Essa síntese permitiu que tivéssemos a nossa disposição os fertilizantes nitrogenados do solo, e com isso, a agricultura conseguisse produzir mais alimentos evitando uma catástrofe mundial. A importância desse processo para a humanidade é tão considerável que Haber ganhou o prêmio Nobel de química de 1918. Atualmente ela já conseguiu ajudar cerca de  2,7 bilhão de pessoas no mundo.

Por outro lado, Haber também é considerado o pai da guerra química. Foi ele que introduziu o  cloro, que tem um  um efeito rápido e devastador, que queimava a pele e as mucosas dos soldados inimigos, e além de matá-los lentamente por asfixia.  Ele esteve a frente do primeiro ataque eficiente com uma arma química, que matou, queimou, e feriu 5 mil soldados franceses. A partir dai ele se preocupou em fazer os derivados do cloro cada vez mais letais, mais mortíferos, e mais torturantes. Evoluiu até o mortífero gás mostarda, um gás mortal, que é utilizado atualmente como quimioterápico. No auge de sua mente inescrupulosa, Haber chegou a criar uma lei empírica, que com base em suas observações, e conseguiu quantificar uma relação entre a concentração dos gases tóxicos, o tempo de exposição e a taxa de mortalidade!

Fonte: Universidade da Química