Dióxido de enxofre

O dióxido de enxofre é formado por dois átomos de oxigênio e um de enxofre, sendo um gás incolor, denso, tóxico, não inflamável e com um odor sufocante. Geralmente, ele é formado da combustão do enxofre ao ar, sendo também produto final da combustão e degradação da matéria orgânica contendo este elemento. O dióxido de enxofre é também expelido do solo pelos vulcões e emerge das instalações industriais onde minérios de ferro e cobre (pirita, FeS2 e sulfeto de cobre, CuS). Também se forma quando compostos voláteis de enxofre produzidos pela decomposição de matéria animal e vegetal são oxidados no ar. Cerca de 200 bilhões de quilogramas de enxofre por ano atingem o céu provenientes de fontes industriais, juntando-se aos 300 bilhões de quilogramas que a natureza oferece.

O dióxido de enxofre é usado como conservante em diversos alimentos e bebidas, pois é capaz de se combinar com o oxigênio que, do contrário, atacaria o produto a ser preservado.  As moléculas responsáveis pelas cores e sabores das frutas secas e sucos de frutas sobrevivem mais tempo se o dióxido de enxofre estiver presente. Ele é usado na indústria do vinho, em parte para suprimir o crescimento de leveduras selvagens e de bactérias que azedariam o suco de uvas, dando origem ao vinagre, e em parte para evitar a oxidação. Utiliza-se maior quantidade de SO2 no vinho branco do que no tinto, de modo que a oxidação do pigmento amarelo pálido seja evitada.

Uma quantidade colossal de moléculas de dióxido de enxofre é fabricada deliberadamente pela queima de enxofre, na produção de ácido sulfúrico. Elas são, então, encorajadas por um catalisador a se combinarem com um outro átomo de oxigênio, de tal modo que a maior parte do dióxido de enxofre produzido seja convertida em trióxido de enxofre. Essa conversão só se dá lentamente sem o catalisador, como quando o dióxido de enxofre atmosférico forma o trióxido nas gotículas de água. A molécula de trióxido, rica em oxigênio, reage vigorosamente com muitas substâncias e é usualmente convertida em ácido sulfúrico logo após sua formação.

Fonte: Atkins, P. W. Moléculas. São Paulo:Editora Universidade de São Paulo, 2002