Concretos que se auto-regeneram

As estruturas de concretos é um dos símbolos do avanço tecnológico alcançado pela humanidade.  A infraestrutura de concreto apóia e facilita nosso dia a dia – pense nas estradas pelas quais dirigimos, nas pontes e nos túneis que ajudam a transportar pessoas e cargas, nos prédios de escritórios onde trabalhamos e nas barragens que fornecem a água que bebemos.  Com o tempo as estruturas de concreto apresentam sérios danos, principalmente com o aparecimento de rachaduras. As rachaduras são muito comuns devido a vários fenômenos químicos e físicos que ocorrem durante o uso diário. Durante o processo de secagem o concreto encolhe  e causa o surgimento de rachaduras. As estruturas de concreto também pode rachar quando há movimento por baixo ou graças a ciclos de congelamento/descongelamento ao longo das estações do ano. Simplesmente colocar muito peso nele pode causar fraturas. Pior ainda, as barras de aço embutidas no concreto como reforço podem corroer ao longo do tempo. Rachaduras minúsculas podem ser também bastante prejudiciais, o que facilita o contato do concreto com líquidos e gases e substâncias nocivas. Por exemplo,

Trichoderma reesei

microfissuras podem permitir a infiltração de água e oxigênio e, em seguida, corroer o aço, levando à falha estrutural. Mesmo uma pequena abertura na largura de um fio de cabelo pode permitir a entrada de água suficiente para prejudicar a integridade do concreto. Estudos da Universidade de Binghamton e Rutgers chegaram ao que parece ser uma solução muito boa. Eles descobriram que um fungo chamado Trichoderma reesei  e capaz de regenerar um concreto com rachaduras. Como nas rachaduras ocorre um aumento do valor de pH, o Trichoderma reesei  começa crescer dentro delas. À medida que crescem, o Trichoderma reesei  funciona como catalisadores nas condições ricas em cálcio do concreto e promove a precipitação de cristais de carbonato de cálcio. Esses depósitos minerais preenchem as rachaduras. Quando as rachaduras estão completamente calafetadas e não podendo entrar mais água, o Trichoderma reesei  volta ao estado de latência. Se as rachaduras se formarem novamente e as condições ambientais se tornarem favoráveis, o Trichoderma reesei  “acorda” e repete o processo.

Fonte: Scientific American