Moléculas orgânicas relacionadas à vida descobertas em Marte

Os engenheiros da Nasa  Paul Mahaffy, Diretor de Exploração Divisão do Sistema Solar no Goddard Space Flight Center (GSFC), Jen Eigenbrode, um pesquisador que também trabalha para GSFC, Chris Webster, um engenheiro no Jet Propulsion Laboratory (JPL) e Ashwin Vasavada, um cientista que faz parte do projeto Mars Science Laboratory do JPL vieram a público anunciar os resultados obtido da última perfuração feita pelo robô Curiosity. Os resultados foram publicados em um artigo publicado em 8 de junho na revista Science.
 Comandado por engenheiros que estão a 100 milhões de quilômetros dele, o robozinho curiosity “cheirou o ar marciano” e perfurou o solo de Marte para procurar traços de vida ou água líquida. Os cientistas anunciaram na quinta-feira dia 09 de agosto que o robô descobriu moléculas orgânicas complexas; estas são cadeias de átomos contendo carbono e hidrogênio. Na Terra, praticamente todas as moléculas de uma atividade biológica são moléculas orgânicas. Sua detecção em Marte é, portanto, uma indicação séria da existência de uma vida presente ou passada neste planeta. É durante a pesquisa no fundo da cratera Gale que o robô Curiosity encontrou essas moléculas orgânicas. Graças à ferramenta SAM (Sample Analysis at Mars) colocada no robô Curiosity, os pesquisadores conseguiram aquecer as amostras coletadas em mais de 600 graus. Moléculas orgânicas tais como tiofeno, metanotiol, etc. foram então libertadas. Todos são compostos de enxofre e carbono e são os blocos de construção essenciais para a aparência da vida. A presença dessas moléculas pode ser uma evidência de vida passada, mas os cientistas, cautelosos por natureza, especificam que essas moléculas também podem resultar de processos puramente físicos. O futuro nos dirá qual é precisamente a sua origem.
Outro resultado importante, que evoca a vida, é a presença de metano atmosférico no ar de Marte, com flutuações sazonais inesperadas, variando a concentração de gás de uma a três vezes. Este metano, que é difundido na Terra, é de grande interesse para os exobiólogos, porque essa molécula, composta de um átomo de carbono cercado por quatro átomos de hidrogênio, desempenha um papel essencial no ciclo de vida. Pode ser uma fonte de energia, bem como resíduos produzidos por um organismo vivo. A partir daí, para pensar que esse metano estaria ligado a bactérias metanogênicas presentes em Marte, há um grande passo que os cientistas ainda hesitam em atravessar. Quanto aos fluxos sazonais de metano registrados pelo rover Curiosity, eles permanecem um mistério. Na terra, o registro de tal fenômeno indubitavelmente induziria uma atividade biológica. Em Marte, você ainda tem que ter cuidado.