O incrível caso de Tonawanda (Nova York)

No início dos anos 2000, moradores de uma pequena cidade de Rust Belt chamada Tonawanda, Nova York, começaram a notar algo estranho: ao longo dos anos, parecia que um número cada vez maior de pessoas adoecia, principalmente com câncer.

Tonawanda é uma cidade altamente industrializada com mais de 50 instalações poluidora. Era comum sentir o ar denso, além de um cheiro de gasolina. Os moradores perguntavam-se que substâncias químicas tóxicas poderiam estar no ar.

Buscando responder a essa pergunta, em 2005 um pequeno grupo de moradores  tomou as ruas da cidade e armados com baldes de cinco litros, sacolas plásticas, mangueiras de plástico e um aspirador portátil para sugar amostras do ar pesado e fétido.

Testes de laboratório confirmaram seus medos: Amostras de ar que levaram perto de uma planta chamada Tonawanda Coke, que produzia carvão com alto teor de carbono, além de emitirem níveis extremamente altos de toxinas industriais, incluindo benzeno – um hidrocarboneto ligado a cânceres, infertilidade e problemas de crescimento e uma variedade de doenças do sangue. O carbono estava presente no ar em uma taxa de 25 vezes maior que o permitido pelo governo federal do EUA.

O trabalho do grupo resultou em uma investigação legal, uma ação federal e o eventual desligamento da Tonawanda Coke em 2018. Foi uma grande vitória motivada por uma pequena investigação. Mas o sucesso não terminou aí. Isso levou a um estudo de “impressões digitais químicas” inédito, que poderia ter impactos de longo alcance para responsabilizar os poluidores e até mesmo impedir que cidades como Tonawanda se tornassem locais de despejo tóxicos no futuro.

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Fonte: The Revelator