A descoberta do teflon

O farmacêutico de Edimburgo John Scott ficou tão impressionado com as realizações de Benjamin Franklin que em 1815 ele estabeleceu um prêmio John Scott que deveria ser concedido por um comitê na Filadélfia. Dentre os  ganhadores do prêmio estão nomes como Marie Curie, Thomas Edison, Frederick Banting e Jonas Salk. Na cerimônia de premiação de 1951, todos os convidados receberam um presente surpresa. Uma panela de muffins! Mas esta não era uma panela comum. Estava revestido com Teflon, a substância antiaderente descoberta por Roy Plunkett, o químico da DuPont que foi o homenageado do Prêmio John Scott daquele ano.

Teflon foi uma descoberta acidental. Em 1938, a DuPont ficou preocupada com a toxicidade da amônia e do dióxido de enxofre, refrigerantes que eram comumente usados ​​na época. A busca de Plunkett por uma substituição levou à experimentação com o tetrafluoroetileno, um gás que ele fabricou e armazenou em cilindros. Um dia ele abriu um cilindro e ficou perplexo. Nenhum gás saiu apesar do cilindro não ter perdido peso!

Curiosidade despertou Plunkett que resolveu abrir o cilindro e descobrir um pó branco que tinha algumas propriedades surpreendentes. Esse pó era resistente ao calor, bem como a praticamente todos os produtos químicos que ele experimentava, incluindo óleo e água. Mas a propriedade mais impressionante da substância era que nada se a atacava quimicamente. Em uma investigação mais aprofundada, Plunkett percebeu que as pequenas moléculas de tetrafluoroetileno se uniram para formar um polímero que posteriormente seria batizado de “Teflon”.

A determinação da estrutura molecular do Teflon revelou uma cadeia de átomos de carbono, cada um ligado a dois átomos de flúor. É essa matriz de flúor em torno da periferia da molécula que acaba por ser responsável pela propriedade antiaderente do Teflon, bem como pela falta de reatividade. Assim que isso foi realizado, os pesquisadores começaram a produzir uma variedade de compostos fluorados que buscavam produzir materiais resistentes a manchas e à água. Numerosas substâncias alquílicas polifluoradas (PFAS) foram desenvolvidas, e sendo usadas em produtos de papel, têxteis, carpetes, tintas, equipamentos médicos, fita de encanamento, fio dental, embalagens de alimentos, isolamento de fios, equipamentos de camping e espumas de combate a incêndios.

Na década de 1970, descobriu que os compostos polifluorados amplamente utilizados eram ambientalmente persistentes e se acumulavam no sangue de trabalhadores ocupacionalmente expostos. Então, na década de 1990, os PFAS estavam sendo detectados no sangue da população em geral, bem como em alguns suprimentos de água potável. Na virada do século, os cientistas associaram a exposição a alguns PFAS a uma variedade de problemas de saúde em animais, incluindo problemas reprodutivos e câncer.

 

Fonte: Montreal Gazette