As briófitas bioindicadoras de metais pesados

Os musgos vem sendo usadas desde 1996, como reveladoras da poluição atmosférica causada por metais pesados. Devido a sua capacidade de absorver água e nutrientes da atmosfera, a cada cinco anos, pesquisadores do Museu Nacional de História Natural da França estudam os depósitos de partículas dessas briófitas. O programa, denominado Biomonitorização da deposição atmosférica metálica por musgos (BRAMM), tem sido utilizado desde 1996 em 500 locais de coleta espalhados pelo país.

Os dados obtidos fornece uma boa base de dados sobre os metais pesados disponíveis em uma malha de 2 a dois quilômetros em toda a França. Segundo Bénédicte Jacquemin, pesquisador na unidade “Envelhecimento e doenças crônicas” do Inserm, a partir dos resultados é possível conhecer o nível de exposição das pessoas que vivem na zona rural longe das principais fontes de contaminação. Partículas de metais pesados ​​podem ter fontes naturais de erosão eólica da crosta terrestre ou de fontes antropogênicas como atividade industrial e transporte. Como as fontes de alumínio, arsênio, cálcio, cádmio, cromo, cobre, ferro, mercúrio, sódio, níquel, chumbo, vanádio e zinco são perfeitamente distintas foi estabelecer a origem destes metais pesados.

Pesquisadores do Inserm observaram uma forte correlação entre um aumento do risco de morte por causas naturais e exposição a metais pesados ​​antropogênicos. Cálculos estatísticos mostram que existe uma chance de 95% de que esse resultado não seja devido ao acaso. O estudo acaba de ser publicado na Environment International.

A primeira lição científica defendida pelos pesquisadores franceses é que bioindicadores como briófitas podem servir como sensores e, assim, revelar relações difíceis de serem comprovadas com a saúde humana. A outra lição é de saúde pública cujos níveis baixos, longe de zonas de emissão, em ambientes considerados saudáveis, as partículas de metais pesados ainda podem causar mortes.

 

Fonte: Science Avenir