A história maluca por detrás da planta locoweed

Existem cerca de 300 espécies de planta que são perene e resistentes, algumas das quais produzem swainsonina, um alcalóide tóxico que é responsável por fazer os animais agirem “loucos”. Bovinos, cavalos, ovelhas, cabras e animais selvagens são atraído para locoweed no início da primavera e no final do outono porque essa erva daninha é verde, enquanto outras plantas são marrons. Estima-se que todos os anos os produtores de gado perdem mais de US $ 300 milhões devido à morte de animais envenenados, somente no Canadá.

Não há tratamento para “locoísmo”, e fazendeiros que permitem que seus animais pastem em pastos têm que procurar pelos animais “louco” além de tentar controlar a locoweed com herbicidas. É difícil de elimina-la porque suas sementes  podem ficar dormentes no solo por anos.

De modo geral, as plantas requerem um número de nutrientes para o crescimento adequado, sendo o selênio um. Plantas como Locoweeds são incomuns pois elas exigem mais selênio para a sobrivivência. Assim, a abundância de locoweed indica altos níveis de selênio no solo. Em doses elevadas, o selênio é tóxico e cuasam a loucura nos animais.

As pessoas, assim como as plantas, também precisam de selênio para manter a saúde. A dose diária é de apenas cerca de 50 microgramas por dia. O selênio é incorporado em cerca de duas dúzias de selenoproteínas que desempenham papéis críticos na reprodução, no metabolismo dos hormônios tireoidianos e na síntese de DNA, bem como na proteção contra danos oxidativos e infecções. Obter suficiente selênio geralmente não é um problema, pois pode ser encontrado nas carnes, frutos do mar, grãos, nozes e laticínios. No entanto, a deficiência pode ocorrer em áreas onde o solo está com falta de selênio.

Em termos histórico podemos citar  1935, data em que os cientistas notaram um número incomum de mortes devido a um enfraquecimento do músculo cardíaco na região de Keshan, na China. Em 1967, a doença de Keshan, como a condição veio a ser chamada, mostrou-se mais disseminada, mas ainda limitada a certas áreas geográficas. As pessoas que antes viviam nessas regiões, mas depois se mudaram, não foram afetadas. Com isso iniciou a amostragem do solo, comida e água nas áreas onde a doença de Keshan era prevalente, bem como a comparação de amostras de cabelo de pessoas que viviam em áreas em outro lugares.

Descobriu-se que as concentrações de selênio no solo, nos alimentos e nos cabelos das pessoas eram mais baixas nas áreas afetadas pela doença de Keshan. Isso levantou a possibilidade de que os suplementos de selênio poderiam ser fundamentais para oferecer proteção. Após estudos em animais terem mostrado que o selenito de sódio pode ser usado com segurança, os residentes receberam o suplemento sob supervisão médica. Em 10 anos, foram obtidos dados para mostrar que tal suplementação foi eficaz para reduzir a taxa de doença de Keshan.

Na América do Norte, alguns estudos sugeriram que as pessoas na categoria mais alta de ingestão de selênio têm um risco menor de alguns tipos de câncer do que aquelas na categoria mais baixa. Ensaios clínicos randomizados de prevenção do câncer usando suplementos de selênio tiveram resultados mistos, com alguns sugerindo um benefício, outros não. Nenhum risco associado a suplementos na faixa de 200 microgramas por dia foi observado. Uma possibilidade de overdose de selênio é o consumo excessivo de castanha do Brasil, que pode conter até 90 microgramas por castanha. Os efeitos tóxicos começam em cerca de 700 microgramas, então, enquanto algumas castanhas do Brasil por dia são boas, mais de oito poderiam criar um problema. Os primeiros indicadores da ingestão excessiva de selênio são o hálito de alho. Tem havido alegações de que os suplementos de selênio podem ser úteis em doenças cardiovasculares e da tireoide, bem como em evitar o declínio cognitivo. 

 

Fonte: Montreal Gazette