O lítio e a psiquiatria

O lítio foi introduzido na forma de carbonato ou citrato em 1840, sendo amplamente com muitos insucessos no tratamento de muitas doenças. No século XIX, Garrod e Hammamond, defendiam a utilização de sais de lítio para o tratamento de gota e litíase renal por ácido úrico. Na mesma época, o lítio foi usado esporadicamente como medicamento para o tratamento de doenças psiquiátricas. Somente, em 1949 que o doutor australiano John Cade observou que o efeito foi ao contrário.

Historicamente, o trabalho de Cade sobre a demência mental começou quanto ele foi internado por mais de três anos no notório campo de prisioneiros de guerra japoneses em Changi, em Cingapura. No campo de prisioneiros, ele foi encarregado da seção psiquiátrica, onde começou a observar a ligação entre certas deficiências alimentares com doenças em seus companheiros de prisão. A falta de vitaminas do complexo B, por exemplo, causou beribéri e pelagra.

Trabalhando em uma despensa abandonada no Hospital Mental de Repatriação de Bundoora, perto de Melbourne (Austrália), ele prosseguiu suas investigações. Desta vez, a sua pesquisa consistiu em coletar amostras de urina de pessoas com depressão, mania e esquizofrenia. A finalidade dessa etapa do trabalho, foi descobrir se alguma secreção na urina poderia estar relacionada aos sintomas das três doenças anteriores. Sem acesso a análises químicas sofisticadas, Cade resolveu injetar a urina dos pacientes nas cavidades abdominais de porquinhos da índia, aumentando a dose até que eles morressem. Ele constatou que a urina de pessoas com mania era letal para os animais.

Em outros experimentos realizados, Cade descobriu que o carbonato de lítio, que era usado para tratar doenças renais como a gota desde o século XIX, reduziu a toxicidade da urina dos pacientes. Nesse momento, Cade notou que uma grande dose do medicamento tendia a acalmar os porquinhos da índia. Durante os experimentos os porquinhos que antes eram inquietos passaram a se comportar placidamente. Nesse ponto. Cade se perguntou se lítio poderia ter o mesmo efeito tranquilizador em seus pacientes. Depois de tentar estabelecer uma dose segura, Cade começou a tratar dez pessoas com mania. Em setembro de 1949, ele relatou melhorias rápidas e dramáticas em todos eles no Medical Journal of Australia. É interessante relatar que a maioria dos pacientes tratados com lítio na época haviam melhorado o suficiente para voltar para suas casas e famílias.

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Fonte:

Cade, J. F. J.; Med. J. Aust. 1949, 3, 349.

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