Cogumelos e casca de laranja para limpar o ambiente

 

Ao ler um cardápio de um restaurante muitas vezes nós não imaginamos a quantidade de resíduos que são produzidos. Para Ehab Sayed os resíduos de um restaurante não é um problema ambiental, pois ele resolveu aproveitar resíduos para produzir materiais para resolver problemas ambientais. Sayed que estudou engenharia e mestrado em design, formando-se na Brunel University, sempre ficou chocado com a forma como os fabricantes e desenvolvedores de materiais não estenderem suas responsabilidades ao fim da vida útil de seus produtos e a ineficiência dos processos de gerenciamento de resíduos.

Para desenvolver seus produtos Sayed chegou na Open Cell , uma comunidade de startups de biotecnologia baseada em contêineres por trás do mercado Shepherd’s Bush, no oeste de Londres. Com uma pequena equipe de designers, engenheiros e cientistas, ele desenvolveu dois materiais: i) Orb, um produto feito com cascas de laranja, e ii) o isolamento de micélio de sistema radicular dos cogumelos usados em restaurantes.

As cascas de laranjas usadas pela Biohm, startup fundada por Sayed, para produzir o Orb vêm diretamente da indústria, e não através de uma empresa de gerenciamento de resíduos. As cascas de laranja são obtidas da cantina dos funcionários de uma gigante da tecnologia (das quais três toneladas são produzidas semanalmente) e o capim vem de um aeroporto de Londres (até 47 toneladas por semana) são apenas duas fontes de

Amostras de Orb, um material de construção feito de cascas de laranjas.

matéria prima para produzir o Orb. A placa de casca de laranja – que possui textura semelhante à cortiça e varia em tom de mel quente a marrom rico, dependendo de quanto tempo a casca secou – é então vendida para a empresa na forma de painéis, ladrilhos e risers.

O micélio por sua vez foi descoberto acidentalmente pelos pesquisadores da Biohm. O processo da descoberta da cepa de micélio ocorreu quando os pesquisadores observaram que restos de cogumelos “consumiram” uma esponja de plástico nas proximidades. Esse fato, despertou a curiosidade dos pesquisadores que verificaram que a esponja era consumida por uma cepa específico de micélio. Então, a Biohm começou a buscar outras cepas de micélio, que atualmente, cerca de 300 cepas foram coletadas manualmente de florestas e jardins. Os pesquisadores iniciaram o processo de crescimento alimentando o micélio com uma fonte de alimento rica em nutrientes, como grãos. Em seguida, o micélio reproduzido será misturado com um substrato (um resíduo), para ver quão bem ele cresce e limpa o ambiente. Aqueles com bom desempenho serão clonados pelos pesquisadores para uso comercial.

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Fonte: The Guardian