Líquidos iônicos que protegem os monumentos da chuva ácida

Os monumentos de pedra expostos ao clima se deterioram com o tempo. A deterioração ocorre devido à chuva ácida, que atacam pedras calcárias. Deve ser mencionado que essas pedras são matérias primas de uma quantidade enorme de monumentos em todo o mundo. Além da ação química, os monumentos históricos estão infestados com colônias de bactérias que se desenvolvem em sua superfície, alterando cores e enfraquecendo sua estrutura. Pensando numa solução para esses dois problemas que afetam a conservação de monumentos históricos que o pesquisador Archismita Misra e seus colegas da Universidade de Ulm (Alemanha), estão desenvolvendo uma forma de conservar as superfícies com um líquido iônico, chamado POM-IL.

O POM-IL é constituído por agregados nanométricos de óxidos metálicos de cerca de cinquenta átomos com carga negativa e íons de amônio reunindo um átomo de nitrogênio com carga positiva e quatro longas cadeias de carbono. Desenvolvidos há cerca de dez anos, esses líquidos não voláteis incolores são agentes de tratamento de superfície muito eficazes para metais: seu poder hidrofóbico e sua estabilidade contra ácidos evitam a corrosão pela chuva ácida. Suas capacidades de reparação automática protegem o metal em caso de arranhões. De fato, o POM-IL adere à superfície, mas permanece líquido, embora muito viscoso: em caso de arranhão, flui para o entalhe e reconstitui um revestimento uniforme. Finalmente, eles têm outra propriedade notável: graças aos íons de amônio, conhecidos por serem antibacterianos,

Archismita Misra e seus colegas testaram dois desses líquidos iônicos como revestimento protetor para vários tipos de calcário usados na arquitetura. Escovaram as pedras com POM-IL dissolvido em um solvente volátil e depois as aqueceram a 70 °C para garantir uma boa impregnação da superfície. Subsequentemente as pedras com POM-IL foram submetidas a vapores de ácido acético, imitando a chuva ácida. Como resultado, as pedras com POM-IL quase não tiveram nenhum dano em comparação com as sem revestimento. Colônias de bactérias Escherichia coli ou Bacilla subtilis depositados nas pedras com POM-IL diminuíram muito ou até desapareceram, diferentemente das pedras nuas. Ainda falta realizar sobre a longevidade do tratamento com POM-IL e sua eficácia contra um último agente para a degradação de pedras: fungos.

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Pour la Science