Como a malária vive no sangue

A malária causa cerca de 400.000 mortes globalmente a cada ano. É causada por parasitas do Plasmodium, que são transmitidos por mosquitos e crescem na corrente sanguínea de uma pessoa.

O mecanismo de ação do parasita da malária tem como base sua entrada nos glóbulos vermelhos, onde ele digere a hemoglobina. Pesquisadores do Instituto Francis Crick descobriram em uma nova pesquisa como o parasita da malária se protege dos compostos tóxicos liberados pelos glóbulos vermelhos durante a digestão do ferro da hemoglobina.

Quando o Plasmodium entra em um glóbulo vermelho para fazer a digestão da hemoglobina, os pesquisadores observaram que ocorre a liberação de ligante heme B. O ligante heme B é tóxico para o parasita se for deixado solto dentro da célula.

Os pesquisadores descobriram que, para superar isso, o parasita usa uma proteína, chamada PV5, para controlar a quantidade de heme B livre. Essa proteína é capaz de cristalizar o grupo heme B o que garante a sobrevivência do parasita da malária.

Durante os seus experimentos os pesquisadores descobriram que ao bloquear a proteína PV5 o produzia menos cristais e mesmo assim com alto níveis de deformação no ligante heme B. Em camundongos ao ser bloqueada a proteína PV5, os pesquisadores notaram que o parasita da malária se tornou mais sensível a vários medicamentos antimaláricos.

Imagens mostrando a cristalização do haem. A imagem esquerda mostra cristalização normal e a direita mostra isso na ausência da proteína PV5. Crédito: The Francis Crick Institute

Ao identificar o papel da proteína PV5 no mecanismo de ação do parasita, segundo os pesquisadores várias portas foram abertas para o desenvolvimento de novos tratamentos para a malária. Nesse momento, os resultados dos pesquisadores são muito importantes, pois o parasita da malária já é resistente a muitos medicamentos, o que exige a descoberta de novos tratamentos.

Fonte: Phys.org