Química e Patrimônio Cultural

O patrimônio cultural é o complexo de artefatos que, devido ao seu conteúdo histórico, técnico e artístico, documentam a evolução de países e nações. Em suma toda a história de um povo está contida no seu patrimônio histórico.

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A figura acima mostra algumas urnas funerárias dos sítios Bom Jesus do Baré e São Miguel do Cacau de tribos antigas do médio Solimões Amazonas. Essas urnas têm pelos menos 2500 anos aC e fazem parte de 32 sítios arqueológicos identificados em torno do Lago Amanã e arredores, sendo que 14 deles possivelmente são funerários. A conservação desses artefatos Culturais, incluindo restauração, proteção e manutenção, é essencial para garantir que as futuras conheçam a pré-história Amazônica.

Nesse contexto, o conhecimento dos produtos químico; isto é, composição, estrutura, propriedades e reatividade, bem como a natureza física dos materiais dos materiais cerâmicos são requisitos essenciais para conservação desse rico patrimônio histórico.

Por exemplo, os materiais que compõem as esculturas podem ser classificados como: i) Materiais naturais, geralmente derivados de rochas, e processados por talha mecânica (por exemplo, mármore); ii) Materiais naturais modificados, obtidos por modificação química de materiais encontrados na natureza (argilas transformadas em cerâmica, são um exemplo típico) e iii) Materiais artificiais, não presentes na natureza.

Alguns materiais artificiais são obtidos apenas pela mistura de diferentes componentes a altas temperaturas: é o caso das ligas metálicas, incluindo o bronze. Outros, como os plásticos, são o produto de sínteses químicas complexas, começando geralmente a partir de derivados de petróleo.

No processo de conservação do patrimônio cultural de um povo, enfim da humanidade, a Química desempenha três papéis principais:

  1. Avaliar o estado de conservação dos artefatos e identificar quais fatores são responsáveis pela degradação. Para isso, o Químico emprega muitas técnicas analíticas, como espectroscopias, espectrometrias, difração e fluorescência de raios X, entre diversas outras medidas não destrutivas com elevado grau de sofisticação;
  2. Selecionar os procedimentos mais adequados para restaurar, consolidar e proteger os artefatos;
  3. Após o uso de tratamentos de conservação, o Químico é capaz de avaliar sua eficácia e durabilidade.

Fontes:

University Federico II of Napoles and European Chemistry

Mérito Foto. Costa, B L S et al. 2012