Epa, o ‘ouro do tolo’ pode ser valioso

Historicamente, o ouro é um metal bastante desejado e com alto valor comercial. Por causa disso, com o passar do tempo, foram aparecendo algumas imitações. Entre elas, a mais conhecida está o “ouro dos tolos” ou “ouro de gato”. Esse ouro nada mais é que um mineral do enxofre denominado de pirita, cujo nome técnico é dissulfeto de ferro (FeS2). O nome “pirita” vem do grego pyr, que quer dizer “fogo”, provavelmente porque, quando a pirita é golpeada com um martelo, saem faíscas e em razão de seu uso em armas de fogo, tais como o Wheellock.

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Crhis Leighton e seus colegas, incluindo Eray Aydil, da Universidade de Nova York, e Laura Gagliardi (química), da Universidade de Minnesota, estudam o ouro do tolo, há mais de uma década com o objetivo de utilizá-lo em células solares. O enxofre, em particular, é um subproduto altamente abundante e de baixo custo da produção de petróleo. Infelizmente, cientistas e engenheiros não encontraram uma maneira de tornar o material eficiente o suficiente para realizar células solares de baixo custo e abundantes na Terra.

Por outro lado, a maioria das pessoas conhecedoras de magnetismo provavelmente diria que era impossível transformar eletricamente um material não magnético em material magnético. Ao invés de produzir células  solares, a equipe de pesquisadores liderada por Leighton conseguiram estabelecer uma forma de transformar um material não magnético em magnético. 

Segundo os pesquisadores essa é a primeira vez que os cientistas transformam eletricamente um material totalmente não magnético em material magnético, sendo considerado o primeiro passo na criação de novos materiais magnéticos valiosos. Essa descoberta possibilita melhorar os dispositivos de memória de computador com maior eficiência energética.

Essa é mais uma daquelas descoberta que ocorrem por acaso, pois enquanto o grupo de pesquisa de Leighton estava trabalhando no campo emergente da magnetoiônica, tentamos usar tensões elétricas para controlar propriedades magnéticas de materiais de possíveis aplicações em dispositivos de armazenamento de dados magnéticos, eles perceberam a existência das propriedades magnéticas na pirita.

O interessante é que os pesquisadores conseguem ligar e desligar o ferromagnetismo em outros materiais não magnéticos. O processo consiste em colocar o sulfeto de ferro em um dispositivo contendo uma solução iônica, ou eletrólito, comparável ao Gatorade. Então, eles aplicaram apenas 1 volt (menos voltagem que uma bateria doméstica), moveram moléculas carregadas positivamente para a interface entre o eletrólito e o sulfeto de ferro e induziram magnetismo. É importante ressaltar que  ao desligar a tensão, a pirita retorna ao seu estado não magnético, o que significa que eles podem ativar e desativar o magnetismo de forma reversível.

 

Fonte:

Jeff Walter, Bryan Voigt, Ezra Day-Roberts, Kei Heltemes, Rafael M. Fernandes, Turan Birol, Chris Leighton. Ferromagnetismo induzido por tensão em um diamagnet . Avanços da ciência , 2020; 6 (31): eabb7721 DOI: 10.1126 / sciadv.abb7721