Qual foi o primeiro vírus descoberto

Virus

Estamos em uma pandemia que parece que não vai acabar. A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, já matou milhares de pessoas no mundo. Mas quando a história do vírus começou para nós seres humanos?

Originalmente, a palavra vírus significava qualquer substância tóxica, entre as quais foram incluídas por muito tempo, por exemplo, o veneno de cobras.

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Os vírus são “estruturas” biológicas verdadeiramente fascinantes na fronteira entre o inanimado e o vivo. Seus tamanhos são entre 100 e 1.000 vezes menores do que os de uma célula.

O vírus da varíola, um dos patógenos mais letais da história, é um dos maiores, com diâmetro de 200 nanômetros. No pólo oposto estão, por exemplo, os poliovírus – a causa da poliomielite – com apenas 20 nm de diâmetro.

Essas dimensões atrasaram sua observação direta. Foi somente na década de 1930, após a invenção do microscópio eletrônico, que pudemos ver os vírus pela primeira vez, apesar de termos pressentido sua existência há muito tempo.

Tratamentos contra germes desconhecidos

Em 1796 o médico britânico Edward Jenner (1749-1823) desenvolveu a primeira vacina da história, ele a fez contra a varíola, e em 1885 o cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) fez o mesmo contra a raiva. Em ambos os casos eram doenças virais e os dois cientistas morreram sem realmente identificar o microrganismo contra o qual haviam desenvolvido um tratamento eficaz.

Charles Chamberland (1851-1908), colaborador de Pasteur, forneceu a peça-chave que terminaria com a descoberta dos vírus. Ele desenvolveu um filtro, que foi batizado com seu sobrenome, feito com poros menores que o tamanho das bactérias, para evitar a passagem das mesmas. Com seu filtro, feito de porcelana, pretendia obter água livre de bactérias, que pudesse ser usada por Pasteur em seus experimentos.

Em 1892, o microbiologista e botânico Dmitri Ivanovsky (1864-1920) estudou uma doença que afetou a planta do tabaco, infecção que se espalhou com extrema rapidez e causou milhões em perdas econômicas.

A doença havia sido identificada há algum tempo na Holanda e era conhecida como “mosaico do tabaco”, devido às manchas características que apareciam em suas folhas.

Os primeiros vírus são descobertos

Ivanovsky moeu as folhas de uma planta infectada, passou o fluido obtido pelo filtro de Chamberland e, em seguida, colocou o fluido obtido em contato com outra planta. O cientista ficou surpreso ao ver que a segunda planta adquiriu a infecção, ou seja, o agente infeccioso responsável pela doença do mosaico do tabaco era menor que uma bactéria.

Seis anos depois, um microbiologista holandês, Martinus W Beijererinck (1851-1931), reproduziu a experiência de Ivanovsky em seu laboratório em Delft, chegando à mesma conclusão. Mas o holandês também mostrou que a infecção poderia ser transferida para outras plantas, descobrindo que o patógeno era autorreplicante.

Beijerinck batizou o “agente filtrável” de “contagium vivum fluidum” (germe solúvel vivo), em oposição às bactérias, que eram “contagium fixum”.

Dessa forma, foi confirmada experimentalmente a existência do primeiro vírus da história, o responsável pela doença do mosaico do tabaco. A carreira de virologia estava apenas começando.

Em 1898, dois cientistas, Friedrich Loeffler e Paul Frosch, provaram que o agente causador da febre aftosa em bovinos também era um vírus, e a descoberta do primeiro vírus humano levou apenas três anos. Em 1901, Walter Reed descobriu o vírus da febre amarela.

Apesar dos avanços importantes feitos por Ivanovsky e Bijerinck, a natureza líquida dos vírus seria posteriormente descartada e, mais importante, seria questionado se eles estavam vivos. Mas, como diria Rudyard Kipling, essa é outra história.

Mérito: Pedro Gargantilla  – 
Fonte: ABC Ciência

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