A fuligem de carbono gera um risco aumentado de câncer

Constituindo partículas finas, esse resíduo da combustão incompleta dos motores dos automóveis gera um risco aumentado de câncer de pulmão, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) da França. Mais um argumento para a limitação drástica do tráfego da cidade que a Assembleia Nacional vai examinar esta semana na lei de clima e resiliência.

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A fuligem de carbono é um assassino particularmente formidável. Resultante da combustão incompleta de motores térmicos principalmente a diesel, seu tamanho é de cerca de um micrômetro (o de uma bactéria) o que o torna um dos compostos mais comuns entre as partículas finas com uma dimensão inferior a 2,5 micrômetros (PM2,5). Por isso, agências ambientais recomendam considerar como prioridade o carbono orgânico nas políticas públicas de qualidade do ar.

O estudo do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica, acabou de publicar as Perspectivas de Saúde Ambiental da França revelando que quanto maiores os níveis de exposição à fuligem de carbono em casa, maiores são os riscos de desenvolver câncer de pulmão. Os pesquisadores da Universidade de Rennes (INSERM) ao estudarem as composições de materiais orgânicos e inorgânicos chegou à conclusão de que a fuligem de carbono causa um risco 20% maior de desenvolver câncer de pulmão.

O estudo começou em 1989, quando o INSERM formou um grupo de 20.000 funcionários voluntários trabalhando no que ainda era o EDF-GDF. Essas 20.000 pessoas cobrindo toda a hierarquia, do executivo ao trabalhador, desde então, responderam a um questionário todos os anos sobre sua casa, seu estilo de vida (fumo, álcool etc.), seu desenvolvimento profissional, sua exposição a poluentes.

Os investigadores tiveram a ideia de cruzar estes dados com as taxas de poluentes exteriores sofridos pelas pessoas no seu local de residência obtidas graças ao programa europeu Elapse que modela a partir das fontes de emissões e características topográficas os níveis de PM2,5, óxidos de nitrogênio, ozônio e fuligem de carbono, mesmo em baixas densidades no ar. É assim que mais de 4.000 casos de câncer de pulmão ou associados à fuligem surgiram entre 1989 e 2015. A correlação com a qualidade do ar produz um risco maior de 20% para câncer em geral e 30% para câncer de pulmão para as pessoas mais expostas.

Este estudo motivou os deputados franceses fazerem uma revisão da lei de clima e resiliência em que artigo 27 estendeu a obrigação de “zonas de mobilidade de baixa emissão” às aglomerações com mais de 150.000 habitantes até 31 de dezembro de 2024. O objetivo é de reduzir o número de pessoas expostas à poluição do ar em áreas urbanas em geral. O estudo do INSERM, portanto, forneceu informações concretas sobre os efeitos na saúde de medidas que não seriam realmente eficazes, como a proibição total de veículos que usam combustíveis fosseis até 2024.

Fonte:

Science Avenir