Palmeiras com fontes de poluição

Em 1981, presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan afirmou que as árvores causavam mais poluição do que os automóveis. Na época, era inebriante fazer uma afirmação como essa pois os dados da época não eram consistentes o suficiente para mostra que as árvores emitiam névoas fotoquímicas. Hoje, em um contexto completamente diferente, Ronald Reagan quase poderia dizer isso sem fazer papel de bobo, conforme um estudo da Universidade da Califórnia (Berkeley) realizado por Ronald Cohen, especialista em química atmosférica. Isso porque o estudo mostra que em Los Angeles, em 2021, as palmeiras, árvores e plantas são as principais fontes de poluição por aerossol.  Com durante a pandemia de Covid-19 a atmosfera foi drasticamente purgada das emissões dos automóveis os componentes do aerossol proveniente de plantas foram mais facilmente determinados. 

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Há 20 anos, a qualidade do ar em LA violava os padrões sanitários todos os dias. Hoje, isso só acontece nos dias quentes. Segundo Cohen em Los Angeles, as concentrações de hidrocarbonetos chamadas PM2.5 que têm menos de 2,5 mícrons de diâmetro e se alojam facilmente nos pulmões causanmdo problemas cardiovasculares e respiratórios caíram pela metade entre 1999 e 2012. E partir de então nenhuma poluição grave foi detectada desde 2016, desde que as temperaturas não excedessem 20 °C. Por outro lado, quando o termômetro sobe acima de 37 °C, o limite do padrão de qualidade do ar ambiente recomendada pela Agência Americana de meio ambiente é frequentemente excedido.

Com redução da circulação veicular em Los Angeles, os pesquisadores concluíram que palmeiras e carvalhos, são os principais emissores. À medida que a concentração de produtos químicos orgânicos nos veículos – compostos de carcinógenos como benzeno e tolueno – despencava, os pesquisadores em qualidade do ar rastreavam outras fontes potenciais de aerossóis em cidades com níveis anti-higiênicos. 

Seus principais suspeitos: cosméticos e produtos domésticos.  Por outro lado, as plantas são conhecidas por liberar mais produtos químicos orgânicos conforme a temperatura aumenta. Uma característica interessante desses produtos químicos é que eles combinam com os óxidos de nitrogênio para formar aerossóis ou mesmo ozônio. O resultado dessa combinação são poluentes que causam irritação nos olhos e pulmões.

Ronald Cohen e sua colega Clara Nussbaumer estudaram as emissões de produtos químicos orgânicos de várias plantas que crescem ou são cultivadas na área de Los Angeles. As Palmeiras e carvalhos mexicanos estão entre os maiores emissores. Os cientistas estimaram que em média 25% dos aerossóis na Bacia de Los Angeles vêm da vegetação, que inclui cerca de 18 milhões de árvores. Na estação mais quentes, as árvores liberam hidrocarbonetos orgânicos voláteis, em particular isoprenos, terpenos entre outros.

Antes que alguém defenda o corte de árvores para purificar a atmosfera não podemos esquecer que elas nos fornecem oxigênio além de fornecerem sombra. Um site, SelecTree, criado pela California State University em San Luis Obispo, já permite que as pessoas escolham entre várias espécies de árvores de acordo com as taxas e horários de emissão de isopreno e monoterpenos. As taxas são expressas em microgramas de emissões por grama de peso de folha seca por hora. 

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