Uma estratégia inovadora para prevenir a dengue

A dengue é causada por um arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) que se apresenta em quatro tipos diferentes: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Atualmente os quatro sorotipos circulam no Brasil intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente não atingidas ou alteração do sorotipo predominante.

O vírus é transmitido pela picada de mosquitos da espécie Aedes que também são responsáveis pela transmissão da chikungunya, febre amarela e Zika. A infecção de mosquitos com uma espécie específica de bactéria pode protegê-los dos vírus da dengue e, à medida que a bactéria se espalha para mais mosquitos, cada vez menos podem transmitir a dengue aos humanos.

Leia também

O grafeno ajuda a prevenir picadas de mosquitos?

O escudo de grafeno contra o Aedes aegypti

Desenvolvido pela organização sem fins lucrativos World Mosquito Program (WMP), esta estratégia inovadora para prevenir a dengue acabou de ser aprovada em um grande ensaio clínico em Yogyakarta, Indonésia. O ensaio mostrou como foi infectado mosquitos da espécie Aedes com a bactéria Wolbachia. Após a infecção foi observado que a incidência de dengue reduziu em cerca de 77% nas regiões infectadas por dengue de Yogyakarta tratadas da cidade, de acordo com artigo publicado recentemente no The New England Journal of Medicine.

A espécie chamada Wolbachia pipientis infecta muitos insetos, no entanto, essa bactéria não costuma infectar os mosquitos Aedes aegypti. Essa conquista demorou cerca de uma década de trabalho, mas os cientistas finalmente descobriram como fazer uma cepa específica da bactéria, chamada wMel, sobreviver e se multiplicar em ovos de Aedes aegypti. Uma vez nascidos, os mosquitos resultantes ainda carregam a bactéria.

Como a bactéria Wolbachia se espalhou rapidamente entre os mosquitos, a taxa de novos casos de dengue despencou entre os residentes de Yogyakarta. A equipe de pesquisadores de Monash University recrutou participantes do estudo e os monitorou para novos casos de febre; daqueles com febre, apenas 2,3% testaram positivo para o vírus da dengue em aglomerados tratados, em comparação com 9,4% daqueles das áreas de controle. Isso representa uma redução de 77% nas infecções. Além disso, o tratamento também foi associado a uma redução de 86% nas internações por dengue.

Fonte:

Médicos sem Fronteiras

Live Science

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *