Onde já se viu vinho vendido em lata

Vinho

Os apreciadores de vinho nunca iriam imaginar que as pessoas iriam beber essa bebida tradicional em uma latinha de alumínio. Todavia, o vinho em latas é uma categoria emergente cuja venda está em crescimento principalmente na Austrália.

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Na Austrália, os dados de vendas off-trade do IRI Market Edge MAT (total anual móvel) indicam que o vinho enlatado representou 0,2% do valor e volume de varejo em 2019. Este resultado foi semelhante aos dos Estados Unidos da América, com o valor e volume de varejo de 0,4 por cento do total das vendas.

A aceitação parece ser impulsionada por pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos. Este grupo de mercado é bem conhecido por buscar novas abordagens que desafiem muitas tradições, como o vinho só é bom se armazenado em vidro. O formato elegante da lata e as imagens que podem ser impressas na lata fornecem aos produtos atributos atraentes para essa faixa etária de idade. O uso de latas para o vinho tem algum apelo ambiental, devido a alta taxa de reciclagem e menor custo de carbono associado ao transporte.

Ao usar uma lata de alumínio para armazenar vinho, é essencial isolar o vinho do contato com o alumínio, então um polímero termofixo é utilizado para esse fim. Então a lata de alumínio praticamente se torna uma garrafa de plástico com uma parede superfina.

Outra característica interessante é que as latas cheias e selada de maneira adequada, praticamente não têm entrada de oxigênio, o que significa que a oxidação do vinho não é um problema. A contaminação ou mudança de sabor resultante da interação entre os compostos do vinho também são praticamente inexistentes.

O problema maior está relacionado à produção de sulfeto de hidrogênio e alguns outros compostos organo-enxofre sem odor no vinho durante o armazenamento. Curiosamente, os odores estranhos sulfídricos são talvez mais comuns em vinhos brancos e rosés e menos comuns em vinhos tintos. Os vinhos brancos e rosés geralmente tem valor de pH mais baixo do que os vinhos tintos, resultando em uma proporção maior de dióxido de enxofre (SO2).

Apesar de existirem alguns questionamentos sobre o aumento acentuado de ácido sulfídrico (H2S) e íons alumínio devido ao contato do vinho com o alumínio:

3Al + SO2 + 6H+ ⇌ 3Al3+ + H2S + 2H2

A exportação de vinho em lata da Austrália aumentou consideravelmente para o Japão, Canadá, Nova Zelândia, Brasil, China continental, França, Cingapura, Coréia do Sul e recentemente para os EUA.

O Japão é o maior destino das exportações australianas em embalagens de 250 mL, enre 2018 e 2019 foram US $ 2 milhões. O vinho em latas representa quase todas (98%) das exportações de embalagens alternativas para o Japão em valor, mais 5% no total de vinhos embalados. A aceitação de vinho em latas pode ser devido ao amor do Japão por máquinas de venda automática, com uma máquina para cada 23 pessoas, ou 5,5 milhões.

Em comparação com 2017–18, houve quedas no valor e no volume em todos os mercados, exceto no Brasil, China continental e França. Como o vinho em latas é uma categoria emergente de rápido crescimento, os dados de exportação estão sujeitos à volatilidade à medida que as empresas testam e ajustam suas estratégias de exportação.

Fonte:

Chemistry in Australia

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Wine Australia

 

 

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