A resistência a antibióticos o que fazer

Formiga resistente aos antibióticos

Existem um risco iminente em 2050 de que os antibióticos atuais não serão capazes de eliminar as infecções bacterianas. Portanto, as infecções bacterianas podem se tornar uma das mais importantes causas de morte. Diante dessa ameaça iminente, os cientistas estão na busca de estratégias mais eficazes para combater as infecções bacterianas. Nessa busca alguns cientistas têm direcionado as suas pesquisas para os insetos sociais. Dentre os insetos sociais, as formigas já provaram que sabem administrar eficazmente os antibióticos ao longo de milhões de anos.

Na luta contra as bactérias, as formigas são muito mais experientes do que os humanos. Elas têm usado antibióticos por mais de 100 milhões de anos. Por outro lado, os humanos têm apenas 80 anos de experiência no uso de antibióticos. Mesmo assim, nós desde a década de 1940 usamos os antibióticos indiscriminadamente para uma quantidade enorme de doenças como  como sinusite, garganta inflamada, infecção urinária, pneunomia, Covid-19, etc.. Esse uso indiscriminados dos antibióticos tem contribuído  com passar dos anos do surgimento des bactérias cada vez mais resistentes.

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Uma das principais bactérias resistentes a medicamentos é a Staphylococcus aureus, sendo a forma resistente à meticilina (MRSA) a mais comum. A MRSA é encontrada em praticamente todo o mundo, normalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde causam sérios problemas. Essa superbactéria, além de ser resistente a vários antibióticos, é capaz de colonizar instrumentos médicos.

Esse problema é tão evidente que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já está prevendo que a partir de 2050, as infecções bacterianas podem se tornar a principal causa de morte no mundo, ultrapassando doenças como câncer e as cardíacas. Por outro lado, qual seria o segredo do sucesso das formigas em usar os antibióticos?

Segundos os cientistas as formigas usam quatro estratégias antibióticas:

  1. As formigas de quase todas as espécies produzem substâncias antibacterianas em glândulas chamadas “glândulas metapleurais”, localizadas na parte posterior do tórax, ou em suas glândulas mandibulares. Essas substâncias também são tão ácidas que também destroem vírus e fungos. De 20 espécies de formigas examinadas em um estudo publicado em 2018 na revista Royal Society Open Science, a formiga ladra (Solenopsis molesta) teve o efeito antibiótico mais potente.
  2. As formigas se associam a fungos destruidores de bactérias. Por exemplo, uma espécie de formiga cortadeira cultiva um fungo que produz um antibiótico eficaz, em particular contra estafilococos aureus resistentes a outros antibióticos. E as secreções da formiga cogumelo Atta sexdens atingem um pH de 2,5, que é muito ácido e suficiente para mata as bactérias.
  3. As formigas conseguem variar os tipos de antibióticos. Isso ocorre porque as bactérias só desenvolvem resistência se forem frequentemente expostas às mesmas substâncias. Alguns dos fungos que são parceiros das formigas podem, portanto, variar ligeiramente a molécula principal de seu antibiótico, de modo que a bactéria não tenha a oportunidade de encontrar uma resposta.
  4. É interessante afirmar que as formigas são antes de tudo um coletivo. Em vez de matar completamente as bactérias para proteger a todos e, assim, aumentar a pressão de seleção que faria surgir a resistência, eles se contentam em regulá-las a um nível aceitável de convivência. Mesmo que isso signifique que alguns indivíduos morram infecionados pela bactéria.

Essa última estratégia provavelmente não ajudará muito os humanos pois envolve a perda de vidas humanas.

Fonte:

Science Avenir

 

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