O ferro, aço e arquitetura açoriana

Obra Calatrava

Quando o minério de ferro é aquecido em altas temperaturas na presença de carbono ocorre uma reação de oxirredução formando ferro zero (Feo), por exemplo:

2Fe2O3 + 3C → 4Fe + 3CO2

A redução dos óxidos de ferro é feita em fornos especiais (altos-fornos) na presença de carbono na forma de coque ou carvão vegetal e fundentes que são adicionados para auxiliar a reação de oxirredução. O Feo obtido nessa reação é conhecido como ferro-gusa pois ainda contem de 3,5 a 4,0% de carbono em sua estrutura. Como resultado de uma segunda fusão, tem-se o ferro fundido, com teores de carbono entre 2,0 e 6,7% além de outras substâncias como carbono, silício, fósforo, enxofre, manganês entre outros elementos.

O ferro-gusa é um produto com a característica de ser oxidado facilmente na atmosfera, nesse caso para ter um uso mais nobre e prolongado é necessário descarbonatá-lo. Uma das formas de se fazer isso é produzir o aço, cujo processo consiste em injetar gás oxigênio no interior do alto-forno onde o ferro é produzido. Em altíssimas temperaturas o carbono reage com o oxigênio e forma dióxido de carbono (CO2):

C + O2 → CO2

No final do processo é obtido o aço que é uma liga metálica composta por aproximadamente 98,5% de ferro, 0,5 a 1,7% de carbono e pequenas quantidades (traços) de silício, enxofre e fósforo. Geralmente, o aço possui uma cor branco acinzentada, com ponto de fusão próximo de 1 300 ºC e densidade igual a 7,7 g/cm3.

O ferro e o aço são aplicados em diversos materiais com que temos contato no cotidiano, como panelas, caldeiras, palhas de aço usadas para limpeza e polimento, mesas, portões, carrocerias, rodas de automóveis, pontes, pregos, parafusos, alicates etc. Uma de suas principais aplicações têm sido na construção civil, como no concreto armado, que é um concreto em estruturas de aço. Essa estrutura, além de diminuir o tempo da construção e o custo da obra com mais materiais que seriam gastos, também permite que sejam construídos vários andares, pois é o aço que fornece a resistência à tração ou à força perpendicular ao edifício, como a força dos ventos.

Como exemplo, temos aço inoxidável, que é composto de 74% de aço comum, 18% de cromo e 8% de níquel. Como o próprio nome diz, o aço inoxidável não se oxida ou não sofre corrosão facilmente, como ocorre com o ferro. Isso ocorre em razão da presença de cromo em sua constituição, pois esse metal reage com o oxigênio do ar e forma uma fina e invisível camada de óxido de cromo que dificulta que o ferro sofra corrosão, formando a ferrugem. O aço inoxidável é muito utilizado em talheres, utensílios de cozinha e em decoração.

Particularmente no caso da arquitetura o aço vem sendo utilizado há mais de um século sendo apontado como uma das soluções mais inteligentes que se pode ter. Além do bom gosto e da versatilidade que o material proporciona, as peças em aço são resistentes e podem ser usadas tanto em ambientes internos quanto externos.

Desde a emblemática Torre Eiffel, construída em 1889, até as aplicações mais corriqueiras da atualidade, o fato é que as múltiplas variações do aço transformaram por completo a maneira de construir. Em termos de design e decoração, as peças aparentes também são muito elogiadas pelo público. Muitos arquitetos utilizaram as propriedades desse sistema para conceber soluções arrojadas, com alto índice de industrialização e precisão. No hemisfério Norte não faltam exemplos de arquitetura de vanguarda feita de pilares e vigas de aço: Torre Eiffel (Paris), arranha-céus norte-americanos da Escola de Chicago e, mais recentemente, às pontes e passarelas de Santiago Calatrava, com exemplares na América Latina – como a Ponte da Mulher, em Puerto Madero, Buenos Aires.

Exemplo de arquitetura açoriana

Apenas nos últimos 15 anos o Brasil começa a explorar com mais intensidade essa alternativa estrutural. Enquanto na Inglaterra cerca de 70% dos prédios com mais de quatro andares usam estrutura de aço, no Brasil, com uma cultura construtiva que sempre se baseou no concreto, esse percentual não passa de 5%. Devido à sua leveza, precisão nas formas e adaptabilidade aos diferentes tipos de clima, o aço tem sido a opção mais escolhida na arquitetura brasileira para o acabamento de grandes estruturas, como a cobertura de modernas arenas. A possibilidade de montá-las fora do canteiro de obras e fixá-las posteriormente torna a execução mais ágil. O resultado em termos de design é simplesmente exuberante.

Fonte:

Brasil Escola

Termovale

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