Porque devemos preserva a amazônia do garimpo

Contaminação por Mercúrio

A região Amazônica é conhecida por ter uma megadiversidade, mas também por diversos casos de degradação, como queimada, exploração do ouro, contaminação por mercúrio. Particularmente, do metal pesado mercúrio existem estudos mostrando que a população da região vem sendo contaminado por esse metal altamente tóxico. Um novo estudo, Exposição ao Mercúrio de Mulheres em Quatro Países Latino-Americanos de Mineração de Ouro mostra que mulheres incluindo indígenas da Amazônia em três países latino-americanos que dependem do consumo de peixes para obter proteínas e que vivem nas proximidades da atividade de mineração de ouro têm níveis elevados de mercúrio em seus corpos.

 

O mercúrio é uma neurotoxina potente para os humanos e pode afetar o sistema nervoso central do feto em desenvolvimento meses após a exposição da mãe. Os efeitos nocivos que podem ser transmitidos da mãe para o feto incluem comprometimento neurológico, perda de QI e danos aos rins e ao sistema cardiovascular. Os sintomas de intoxicação incluem tremores, insônia, perda de memória, alterações neuromusculares, dores de cabeça e disfunção cognitiva e motora. Altos níveis de exposição ao mercúrio podem causar danos cerebrais, retardo mental, cegueira, convulsões e incapacidade de falar.

 

O estudo foi conduzido pela Rede Internacional de Eliminação de Poluentes (IPEN) em conjunto com o Biodiversity Research Institute (BRI) e analisou os níveis de mercúrio em mulheres em idade fértil que são mais sensíveis aos efeitos tóxicos do mercúrio. Mulheres em regiões de mineração de ouro na Venezuela, Bolívia, Brasil e Colômbia se ofereceram para serem avaliadas para o estudo.

Amostras de cabelo foram retiradas de mulheres em idade reprodutiva em regiões de mineração de ouro em pequena escala e analisadas quanto ao conteúdo total de mercúrio, indicando a carga corporal do metal altamente tóxico. O mercúrio é usado por mineradores em pequena escala para extrair partículas de ouro do minério de baixo teor, e a maior parte do mercúrio é perdida para o meio ambiente, onde contamina os peixes nos rios locais.

Os resultados do estudo mostram que mulheres indígenas bolivianas em duas comunidades a mais de 300 quilômetros uma da outra no rio Beni, exibiram uma carga corporal extremamente alta de mercúrio em ambas as comunidades. Amostras de cabelo de mulheres indígenas das comunidades Eyiyo Quibo e Portachuelo estavam entre os níveis mais altos desde que o IPEN iniciou seu programa de biomonitoramento de mercúrio em 2011, com um nível médio de 7,58 ppm. Essas mulheres subsistem quase exclusivamente de bananas e peixes do rio Beni como sua principal fonte de proteína. Elas não têm envolvimento na mineração e não obtêm benefícios com o comércio de ouro.

Das 163 mulheres que participaram do estudo, 58,8% excederam o nível de limite estabelecido pela Agência de Proteção Ambiental do Estado dos Estados Unidos 1 parte por milhão (1 ppm) no qual os efeitos negativos sobre o desenvolvimento de bebês em gestação começam. Além disso, 68,8% das mulheres excederam o nível de 0,58 ppm que os cientistas agora acreditam ser a concentração mais baixa na qual ocorrem impactos negativos sutis, mas reconhecíveis, sobre o feto.

Mulheres em regiões de mineração de ouro em pequena escala na Venezuela e no Brasil também tinham níveis elevados de mercúrio em seus corpos devido ao consumo de peixes locais contaminados com mercúrio. Na cidade venezuelana de mineração de ouro de El Callao, as mulheres tinham, em média, um nível de mercúrio de 1,1 ppm. No vilarejo brasileiro de Vila Nova, as mulheres que participaram do estudo tinham um nível médio de mercúrio de 2,98 ppm.

Na região de mineração de ouro colombiana de Iquira, onde nenhum mercúrio é usado para mineração de ouro e os participantes não comiam peixe, o nível médio de carga corporal de mercúrio foi de apenas 0,25 ppm, bem abaixo de qualquer nível de preocupação.

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Uma pesquisa realizada pela Fiocruz em parceria com o WWF-Brasil em Santarém, no sudoeste do Pará, mostra uma contaminação por mercúrio de 100% dos indígenas da Amazônia chamada de Munduruku, localizado no médio Rio Tapajós, entre os municípios de Itaituba e Trairão. Esses indígenas da Amazônia têm sido expostos a contaminação por mercúrio por cerca de 70 anos devido a atividade garimpeira na região.

A pesquisa foi realizada nas Aldeias Sawré Muybu, Poxo Muybu e Sawré Aboy cujos resultados mostram que cerca de 200 pessoas, incluindo crianças, adultos e idosos continhams níveis de contaminação por mercúrio superiores àqueles considerados seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 6 ppm no cabelo. Os níveis de contaminação variaram de 1,4 a 23,9 ppm no cabelo e, aproximadamente, 6 em cada 10 participantes apresentavam níveis de mercúrio acima 6 ppm. Além disso, 88 espécies de peixe, todas estavam contaminadas por mercúrio. Os que apresentaram maior nível foram os peixes carnívoros. Sendo recomendado que a população não consuma peixes.

Acredita-se que gerações do povo Munduruku já nascem contaminadas por mercúrio e em número superior ao do de adultos: 7 em cada 10 adolescentes de 10 a 19 anos apresentavam índices de mercúrio acima da média. Cerca de 16% das crianças estudadas já apresentavam deformações graves pelo envenenamento por mercúrio. Uma criança de 11 meses de idade, residente na aldeia Sawré Muybu chamou a atenção dos pesquisadores, pois apresentou problemas relativos na componente motricidade ampla. Essa criança continha 19,6 ppm de mercúrio no cabelo, nível pelo menos 3 vezes superior dos valores considerados seguros.

 

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