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A Tabela Periódica: Estrutura, Famílias e Propriedades

Tabela periódica

A tabela periódica é o mapa da Química. Com ela, você descobre pela posição de um elemento quantos elétrons ele tem na camada de valência. Se é metal ou ametal, ele tende a ganhar ou perder elétrons e a se comportar em reações.

Neste guia, você entenderá a estrutura da tabela, com períodos, grupos e blocos. A Tabela Periódica: Estrutura Famílias e Propriedades também aborda a origem dos seus nomes.

As propriedades periódicas que mais caem no ENEM ajudam você a revisar. No final, você poderá resolver questões no estilo ENEM.

Como surgiu a tabela periódica

Em 1869, o químico russo Dmitri Mendeleev organizou os 63 elementos conhecidos em ordem crescente de massa atômica e percebeu que as propriedades se repetiam em intervalos regulares. Ele deixou espaços vazios para elementos ainda não descobertos e previu suas propriedades, como as do gálio e do germânio, confirmadas anos depois. Na mesma época, o alemão Lothar Meyer chegou a uma organização parecida.

Em 1913, o físico inglês Henry Moseley mostrou que o critério correto é o número atômico (Z), o número de prótons no núcleo. Desde então, a tabela é organizada em ordem crescente de Z. Hoje ela tem 118 elementos, distribuídos em 7 períodos e 18 grupos. Saiba mais em O que é número atômico e por que ele é importante.

Estrutura da tabela periódica

Períodos (linhas horizontais)

Os 7 períodos indicam quantas camadas eletrônicas (níveis de energia) o átomo tem no estado fundamental. O sódio (Na), com distribuição 1s² 2s² 2p⁶ 3s¹, tem 3 camadas e por isso está no 3º período. Ao longo de um período, o número atômico aumenta de um em um, da esquerda para a direita.

Grupos ou famílias (colunas verticais)

Os 18 grupos, numerados de 1 a 18 segundo a IUPAC, reúnem elementos com o mesmo número de elétrons na camada de valência (nos grupos 1, 2 e 13 a 18). Por isso os elementos de uma mesma família têm comportamento químico parecido. Livros mais antigos usam a numeração 1A a 8A, que ainda aparece em algumas provas: 1A = grupo 1, 2A = grupo 2, 3A = grupo 13, e assim por diante até 8A = grupo 18.

Blocos s, p, d e f

A tabela também se divide em blocos, de acordo com o subnível que recebe o último elétron na distribuição eletrônica:

Essa relação é a chave para localizar um elemento a partir da distribuição eletrônica, um tipo de questão muito comum no ENEM. Veja também Quais são os elementos químicos do bloco f.

Metais, ametais, semimetais e gases nobres

Cerca de três quartos dos elementos são metais: brilhantes, bons condutores de calor e eletricidade e com tendência a perder elétrons, formando cátions. Os ametais ficam à direita da tabela e tendem a ganhar elétrons, formando ânions. Entre eles há uma faixa de semimetais (boro, silício, germânio, arsênio, antimônio e telúrio), com propriedades intermediárias; o silício, por exemplo, é a base dos chips eletrônicos. Os gases nobres formam um grupo à parte. O hidrogênio aparece no grupo 1, mas não é um metal alcalino: é um ametal gasoso que fica ali por ter um único elétron. Compare as classes em Metais, não metais e gases nobres.

As famílias da tabela periódica e a origem dos nomes

GrupoFamíliaElétrons de valênciaElementos
1Metais alcalinos1Li, Na, K, Rb, Cs, Fr
2Metais alcalino-terrosos2Be, Mg, Ca, Sr, Ba, Ra
13Família do boro3B, Al, Ga, In, Tl
14Família do carbono4C, Si, Ge, Sn, Pb
15Família do nitrogênio5N, P, As, Sb, Bi
16Calcogênios6O, S, Se, Te, Po
17Halogênios7F, Cl, Br, I, At
18Gases nobres8 (o hélio tem 2)He, Ne, Ar, Kr, Xe, Rn

Dica para memorizar: o número de elétrons de valência é o próprio número do grupo nos grupos 1 e 2, e o número do grupo menos 10 nos grupos 13 a 18.

Metais alcalinos (grupo 1)

Lítio, sódio, potássio, rubídio, césio e frâncio têm 1 elétron de valência, que perdem com muita facilidade, formando cátions +1. São metais macios (dá para cortar o sódio com uma faca), de baixa densidade e reagem com a água liberando gás hidrogênio e formando hidróxidos, que são bases fortes. O nome vem do árabe al-qali, “as cinzas”: as cinzas de plantas queimadas eram a fonte de compostos de sódio e potássio usados para fazer sabão. Entenda mais em Porque os metais alcalinos são extremamente reativos.

Metais alcalino-terrosos (grupo 2)

Berílio, magnésio, cálcio, estrôncio, bário e rádio têm 2 elétrons de valência e formam cátions +2. São menos reativos que os alcalinos. O nome vem dos antigos químicos, que chamavam de “terras” os óxidos que não se decompunham no fogo nem se dissolviam bem em água. Os óxidos desses metais, como a cal (CaO) e a magnésia (MgO), tinham caráter básico e ficaram conhecidos como “terras alcalinas”.

Família do boro (grupo 13)

Têm 3 elétrons de valência. O boro é um semimetal e os demais são metais. O mais importante no dia a dia é o alumínio, o metal mais abundante da crosta terrestre, usado em latas, janelas e aviões.

Família do carbono (grupo 14)

Têm 4 elétrons de valência e mostram bem a variação de propriedades num grupo: o carbono é ametal, silício e germânio são semimetais, estanho e chumbo são metais. O carbono forma quatro ligações e cadeias longas, por isso é a base da Química Orgânica e da vida.

Família do nitrogênio (grupo 15)

Têm 5 elétrons de valência. Nitrogênio e fósforo são essenciais para os seres vivos e estão nos fertilizantes (NPK). Essa família também é chamada de pnictogênios.

Calcogênios (grupo 16)

Oxigênio, enxofre, selênio, telúrio e polônio têm 6 elétrons de valência e tendem a formar ânions −2, como o óxido (O²⁻) e o sulfeto (S²⁻). O nome vem do grego chalkós (cobre, minério) + gen (formador): “formadores de minérios”, porque muitos minérios metálicos são óxidos e sulfetos.

Halogênios (grupo 17)

Flúor, cloro, bromo, iodo e astato têm 7 elétrons de valência. Precisam de apenas um elétron para completar o octeto, por isso são muito reativos e formam ânions −1. O nome vem do grego háls (sal) + gen (formador): “formadores de sais”, como o cloreto de sódio (NaCl). O cloro é usado no tratamento de água e o flúor, nos cremes dentais.

Gases nobres (grupo 18)

Hélio, neônio, argônio, criptônio, xenônio e radônio têm a camada de valência completa (8 elétrons; o hélio, 2). Por isso são muito pouco reativos e existem na natureza como átomos isolados. Por muito tempo foram chamados de “inertes”, mas desde 1962 se conhecem compostos de xenônio, como o XeF₂ e o XeF₄. São usados em letreiros luminosos (neônio), balões (hélio) e lâmpadas (argônio).

Metais de transição (grupos 3 a 12)

Ferro, cobre, zinco, prata, ouro e platina são exemplos. Em geral são duros, têm altos pontos de fusão e apresentam vários estados de oxidação: o ferro forma Fe²⁺ e Fe³⁺, e o manganês vai de +2 a +7. Por isso formam compostos coloridos e são ótimos catalisadores. O mercúrio é a exceção mais conhecida: é o único metal líquido à temperatura ambiente.

Lantanídeos e actinídeos (metais de transição interna)

São as duas linhas separadas na parte de baixo da tabela, o bloco f. Os lantanídeos vão do lantânio (Z = 57) ao lutécio (Z = 71) e, junto com escândio e ítrio, formam as chamadas terras raras. Apenas um deles, o promécio, é radioativo. São usados em ímãs potentes de neodímio (fones de ouvido, motores de carros elétricos) e no európio das telas. Os actinídeos vão do actínio (Z = 89) ao laurêncio (Z = 103) e todos são radioativos. Só o tório e o urânio existem em quantidade relevante na natureza; a maioria dos outros é produzida em laboratório. Urânio e plutônio são usados como combustível em reatores nucleares.

Propriedades periódicas: o que mais cai no ENEM

As propriedades periódicas variam de forma regular ao longo dos períodos e grupos. Entender o porquê dessa variação vale mais do que decorar setas.

Raio atômico

É o “tamanho” do átomo. Aumenta de cima para baixo num grupo, porque cada período acrescenta uma camada eletrônica. Aumenta da direita para a esquerda num período, porque, com o mesmo número de camadas, os elementos da esquerda têm menos prótons atraindo os elétrons. O césio e o frâncio estão entre os maiores átomos, e o hélio é o menor.

Atenção ao raio dos íons: o cátion é menor que o átomo que o originou (perdeu elétrons) e o ânion é maior (ganhou elétrons).

Energia de ionização

É a energia necessária para retirar um elétron de um átomo isolado no estado gasoso. Varia ao contrário do raio: quanto menor o átomo, mais preso está o elétron e maior é a energia. Aumenta de baixo para cima e da esquerda para a direita. Os gases nobres têm as maiores energias de ionização, e o hélio tem a maior de todas. Os metais alcalinos têm as menores, por isso perdem elétrons tão facilmente.

Eletronegatividade

É a tendência de um átomo atrair os elétrons de uma ligação química. Aumenta de baixo para cima e da esquerda para a direita, sem contar os gases nobres. O flúor é o elemento mais eletronegativo, seguido de oxigênio, nitrogênio e cloro. Quanto maior a diferença de eletronegatividade entre dois átomos, mais polar é a ligação. Veja O que é eletronegatividade e eletropositividade.

Afinidade eletrônica

É a energia liberada quando um átomo isolado no estado gasoso recebe um elétron. De modo geral, aumenta de baixo para cima e da esquerda para a direita, e os halogênios têm os maiores valores. Uma exceção cobrada em vestibulares: o cloro tem afinidade eletrônica maior que a do flúor.

Caráter metálico

É a tendência de perder elétrons. Varia ao contrário da eletronegatividade: aumenta de cima para baixo e da direita para a esquerda. Os elementos mais metálicos ficam no canto inferior esquerdo da tabela.

Resumo: raio atômico e caráter metálico crescem para baixo e para a esquerda; energia de ionização, eletronegatividade e afinidade eletrônica crescem para cima e para a direita.

Questões no estilo ENEM resolvidas

As questões abaixo foram elaboradas pelo Clube da Química no formato do ENEM para você treinar.

Questão 1

O tratamento da água que chega às nossas casas usa um elemento químico cujo átomo, no estado fundamental, apresenta a distribuição eletrônica 1s² 2s² 2p⁶ 3s² 3p⁵. Esse elemento está localizado na tabela periódica no

  1. 2º período, grupo 15, família do nitrogênio.
  2. 3º período, grupo 15, família do nitrogênio.
  3. 3º período, grupo 17, halogênios.
  4. 5º período, grupo 17, halogênios.
  5. 3º período, grupo 18, gases nobres.

Ver resolução

Alternativa C. O maior número quântico principal é 3, então o elemento tem 3 camadas e está no 3º período. A camada de valência (camada 3) tem 3s² 3p⁵ = 7 elétrons, o que corresponde ao grupo 17, os halogênios. O elemento é o cloro (Z = 17), usado na desinfecção da água.

Questão 2

O sal de cozinha é formado por sódio (Na, grupo 1) e cloro (Cl, grupo 17), ambos do 3º período. Comparando os dois átomos isolados, é correto afirmar que o sódio tem

  1. maior raio atômico e menor energia de ionização que o cloro.
  2. menor raio atômico e maior energia de ionização que o cloro.
  3. maior raio atômico e maior eletronegatividade que o cloro.
  4. o mesmo raio atômico, pois está no mesmo período do cloro.
  5. maior afinidade eletrônica que o cloro.

Ver resolução

Alternativa A. No mesmo período, os dois átomos têm 3 camadas, mas o sódio tem 11 prótons e o cloro, 17. A atração do núcleo do sódio sobre os elétrons é menor, então o sódio é maior e perde seu elétron de valência com mais facilidade (menor energia de ionização). Por isso ele forma o cátion Na⁺, e o cloro, o ânion Cl⁻.

Questão 3

Os ácidos HF, HCl, HBr e HI são formados pela ligação do hidrogênio com halogênios. Considerando apenas a diferença de eletronegatividade entre os átomos, a ligação mais polar entre as moléculas abaixo é a

  1. H–H.
  2. H–I.
  3. H–Br.
  4. H–Cl.
  5. H–F.

Ver resolução

Alternativa E. A eletronegatividade aumenta de baixo para cima no grupo 17, e o flúor é o elemento mais eletronegativo da tabela. A maior diferença de eletronegatividade em relação ao hidrogênio ocorre, portanto, na ligação H–F, que é a mais polar. A ligação H–H é apolar, pois os dois átomos são iguais.

Questão 4

As baterias de celulares e carros elétricos usam íons de um metal do 2º período e do grupo 1 da tabela periódica, escolhido por ser o metal mais leve que existe. Sobre esse elemento, é correto afirmar que ele

  1. é o sódio e forma íons de carga +2.
  2. é o lítio e forma íons de carga +1.
  3. é o lítio e forma íons de carga −1.
  4. é o berílio e forma íons de carga +2.
  5. é o hidrogênio, pois também está no grupo 1.

Ver resolução

Alternativa B. O metal do grupo 1 no 2º período é o lítio (Z = 3). Como todo metal alcalino, tem 1 elétron de valência e forma o cátion Li⁺. O hidrogênio também está no grupo 1, mas é um ametal e fica no 1º período. O berílio está no grupo 2.

Questão 5

Letreiros luminosos e lâmpadas usam gases nobres, como o neônio e o argônio, justamente porque eles quase não reagem com o filamento ou com os eletrodos. Essa baixa reatividade está relacionada ao fato de esses elementos

  1. serem metais de baixa densidade.
  2. terem a camada de valência completa, o que lhes dá grande estabilidade.
  3. terem as menores energias de ionização da tabela periódica.
  4. não possuírem elétrons na camada de valência.
  5. nunca formarem nenhum composto químico, em nenhuma condição.

Ver resolução

Alternativa B. Os gases nobres têm a camada de valência completa (8 elétrons, ou 2 no hélio), o que os torna muito estáveis e com as maiores energias de ionização, não as menores. A alternativa E é uma pegadinha: o xenônio forma compostos, como o XeF₄, então eles não são totalmente inertes.

Perguntas frequentes

Quantas famílias tem a tabela periódica?

A tabela tem 18 grupos, também chamados de famílias. Os que têm nome próprio e mais caem em prova são os grupos 1 (metais alcalinos), 2 (alcalino-terrosos), 13 (família do boro), 14 (família do carbono), 15 (família do nitrogênio), 16 (calcogênios), 17 (halogênios) e 18 (gases nobres). Os grupos 3 a 12 são os metais de transição.

Qual a diferença entre período e grupo?

Período é a linha horizontal e indica o número de camadas eletrônicas do átomo. Grupo é a coluna vertical e reúne elementos com o mesmo número de elétrons de valência e propriedades químicas parecidas.

Quantos elementos existem na tabela periódica?

São 118 elementos reconhecidos pela IUPAC. O último período foi completado em 2016, com a oficialização dos nomes do nihônio, moscóvio, Tenessi e oganessônio.

Qual é o elemento mais eletronegativo?

O flúor, no alto do grupo 17. Ele é seguido pelo oxigênio, pelo nitrogênio e pelo cloro.

Por que o hidrogênio está no grupo 1 se não é metal?

Porque tem apenas 1 elétron, como os metais alcalinos na camada de valência. Mas ele é um ametal gasoso e forma ligações covalentes, como na água (H₂O). Algumas tabelas o colocam separado, no topo.

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