O aquecimento global já alterou o pulmão do planeta

Não é segredo que as plantas são os pulmões da Terra. Através da fotossíntese, eles usam a energia solar para produzir todas as moléculas que os animais consomem e no modo como liberam o oxigênio que precisamos respirar. Mas a verdade é que as plantas não são o único pulmão do planeta. Nos oceanos de todo o mundo, pequenos seres flutuam, liberando, segundo algumas estimativas, até metade do oxigênio produzido no planeta. É sobre o plâncton: é a fonte de energia de quase todos os seres vivos que vivem nos oceanos e absorvem uma grande parte do CO2 que o homem produz em excesso quando queima madeira e combustíveis fósseis.

Há suspeita e evidência aqui e ali de que o aquecimento global de origem humana, que elevou a temperatura dos oceanos em 0,7 graus centígrados desde o final do século XIX, está afetando o plâncton. Agora, um estudo que acaba de ser publicado na Nature e elaborado a partir de milhares de observações, verificou que, de fato, o aquecimento global alterou o plâncton em todo o mundo, em comparação com o que era há 170 anos, antes do industrialização, os foraminíferose, presentes nos sedimentos, estão se movendo para águas mais frias há décadas. Esta é uma nova indicação de que a Terra está entrando no Antropoceno, uma era geológica marcada pela atividade humana. Especificamente, os cientistas compararam dados de núcleos de sedimentos extraídos de mais de 3.500 locais, para a composição de foraminíferos no primeiro centímetro do fundo do mar, que contém uma história do que aconteceu na Terra nos últimos séculos. Em seguida, eles compararam essa informação com os resultados de muitas investigações feitas entre 1978 e 2013 para a situação atual desses microrganismos. As comparações permitem concluir que as comunidades que compõem o plâncton estão mudando em resposta ao aquecimento global. E que o grau de mudança está correlacionado com o grau de mudança nas temperaturas.

O plâncton está se adaptando?

Mas de que maneira eles estão mudando? Existem razões para se preocupar? Em geral, eles observaram que as comunidades não sofreram variações internas, mas mudaram de localização: por exemplo, muitas delas migraram para os pólos. Segundo os pesquisadores, os plânctons estão vivendo em um lugar onde a temperatura é adequada, mas a salinidade ou a luz solar é diferente, por causa da latitude ou a presença de água derretida. Isso, pode ter um grande efeito nos serviços que os oceanos fornecem à sociedade.

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Fonte: ABC Ciência