O ozônio, a diabetes e as doenças pulmonares

Pessoas com pré-diabetes ou diabetes que vivem em áreas poluídas pelo ozônio podem ter um risco maior de uma doença irreversível com uma alta taxa de mortalidade. Um novo estudo publicado na Environmental Health Perspectives conecta a resistência à insulina e a exposição repetitiva ao ozônio ao desenvolvimento de doença pulmonar intersticial.

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Segundo James Wagner, autor principal e professor associado do Departamento de Patobiologia e Investigação Diagnóstica da Faculdade de Medicina Veterinária da MSU as suas descobertas são especialmente importantes, pois poderia ser uma das explicações das complicações encontradas por pessoas pré-diabéticas observada durante a pandemia COVID-19.

O ozônio, um gás frequentemente referido como “poluição atmosférica”, é conhecido por exacerbar certas doenças pulmonares, como asma e rinite, que são principalmente doenças das vias respiratórias superiores. O resultado de Wagner e sua equipe de colaboradores sugere uma associação entre altas concentrações de ozônio e efeitos adversos à saúde no pulmão profundo, que causam dificuldade para respirar devido à restrição e rigidez pulmonar. Só para ter uma ideia mais de 170.000 pessoas nos Estados Unidos sofrem de doença pulmonar intersticial. Além disso, diabetes tipo 2 e resistência à insulina são fatores de risco sugeridos recentemente para o desenvolvimento de fibrose pulmonar.

As conclusões de Wagner e seus colaboradores foram obtidas a partir de investigação de  camundongos saudáveis, camundongos com leve resistência à insulina e camundongos com acentuada resistência à insulina. O estudo encontrou uma relação direta entre os níveis de resistência à insulina e a gravidade da inflamação pulmonar e cicatrizes (fibrose); camundongos com tendência a diabetes foram particularmente suscetíveis à inflamação e remodelação do tecido causada pela exposição repetida ao ozônio.

As evidências da pesquisa sugerem que a exposição ao ozônio pode exacerbar a fibrose pulmonar, principalmente em indivíduos diabéticos. O diabetes mal controlado, em particular, pode ser uma comorbidade importante para o agravamento dos danos pulmonares. Ao que tudo indica existe uma relação causal cuja exposição ao ozônio promove preferencialmente fibrose pulmonar precoce e doença pulmonar intersticial em camundongos pré-diabéticos. Portanto, devemos ter um preocupação com aquelas pessoas que estão no limite da resistência à insulina – ou diabéticas – e que vivem em áreas com altos níveis de poluição por ozônio pois elas têm maior risco de desenvolver doença pulmonar intersticial.

Fonte:

Global health New Wire