A importância da formação interdisciplinar: O caso de Louis Pasteur

Uma das atitudes mais importantes que um ser humano deve ter é uma profissão. Atualmente, a supervalorização do grau de doutorado ganhou destaque sendo bastante popularizada. Infelizmente, a formação interdisciplinar vem sendo deixada de lado e, muitas vezes, relegada para segundo plano.

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Essa estratégia pode parecer nova, mas de certa forma, ela está ligada a personagens de nossa história científica muito famosas. Vejamos o caso de Louis Pasteur, cuja biografia oficial mostra que ele era apenas um químico e biólogo francês do século XIX. Pasteur trás em sua contribuição para a humanidade alguns feitos dentro os quais está a prevenção de doenças causadas por micróbios presentes no leite e no vinho. Ele também criou vacinas contra a raiva e antraz. E suas ideias levaram à aceitação da teoria dos germes, a noção de que organismos minúsculos causavam doenças como a cólera. Pasteur até nos ajudou a preparar cerveja melhor. Pasteur é considerado o benfeitor da humanidade.

Na química, Pasteur se dedicou aos estudos do formato dos cristais do ácido tartárico. Ele estabeleceu um paralelo entre a forma exterior de um cristal, a sua estrutura molecular e a sua ação sob a luz polarizada. Os resultados desses estudos foi a formulação da hipótese da assimetria molecular. De acordo com essa hipótese, as propriedades biológicas das substâncias não dependem apenas da natureza dos átomos, mas também da sua disposição no espaço.

Dificilmente retratada na literatura, mas pode ser atribuído o estudo desenvolvido por Pasteur sobre a simetria do ácido tartárico teve como base sua formação em artes. Pasteur era sobretudo um artista cujas explorações criativas possibilitaram a ele a capacidade de suas descobertas mais monumentais. Ao estudar o ácido paratartárico, Pasteur descobriu que produzia dois tipos de cristais – um como os encontrados no ácido tartárico e outro que era o espelho oposto. Os cristais foram entregues, ou o que os gregos chamam de quiral (kheir) à mão. E eles não eram opticamente ativos, como o ácido tartárico.

Pasteur concluiu que os cristais de imagem espelhada, juntos como uma mistura 50/50 na solução, anularam a capacidade um do outro de girar a luz polarizada. E mesmo sem saber como uma molécula foi construída, apenas oito meses depois de receber seu doutorado, ele disse que a estrutura molecular deles também era quiral. A química mudou para sempre.

 Mesmo como cientista, Pasteur permaneceu intimamente ligado à arte. Ele deu aulas sobre como a química poderia ser usada em obras de arte e frequentava salões. Ele até carregava um caderno, anotando 1-4 classificações de obras de arte que ele visitava. Em uma carta aos pais, Pasteur escreveu sobre um retrato litográfico que ele fizera de um amigo. Naquela época, a litografia envolvia gravar um desenho em uma laje de calcário com cera ou óleo e ácido, e pressionar um pedaço de papel branco sobre ela. A imagem resultante é transposta, como uma imagem espelhada do desenho deixado na laje.

Em sua carta, Pasteur escreveu:

“Acho que não produzi nada tão bem desenhado e com uma semelhança tão boa. Todos os que a viram acham impressionante. Mas temo muito uma coisa, isto é, que no papel o retrato não seja tão bom quanto na pedra; é isso que sempre acontece. ”

Eureka. “Não é essa a explicação de como ele via a mão nos cristais – porque ele era sensível a isso como artista?” Dr. Gal propôs.

Fontes:

The new York times

 

Hansen, B. & Weisberg, R. E. Louis Pasteur’s three artist compatriots—Henner, Pointelin, and Perraud: A story of friendship, science, and art in the 1870s and 1880s. Journal of Medical Biography, p. 1-10, 2015