Como a cor de um frasco de vidro afeta a cerveja dentro

Para explicar o efeito da luz sobre a cerveja devemos entender que o espectro de luz ultra-violeta tem a capacidade de quebrar certas moléculas do lúpulo. O lúpulo, uma liana, angiosperma, da espécie Humulus lupulus, da

Lúpulo

família Cannabaceae, nativa da Europa, Ásia ocidental e América do Norte, é tradicionalmente usado, junto com o malte (grão maltado), a água e a levedura, na fabricação da cerveja. No calor do cozimento da mistura, o lúpulo libera suas resinas de sabor amargo, dando à cerveja sabor característico. Dependendo da exposição a luz o lúpulo libera os lisohumulones, que são compostos químicos que contribuem para o sabor amargo da cerveja. Uma vez liberado, os isohumulones se  liguem à moléculas de enxofre. Esse processo é chamado de Skunky, cujo principal efeito é o

Isohumulone

aparecimento de um aroma inconfundível de “gambá”. Assim, garrafas de cor verde ou transparente não oferecem nenhuma proteção contra luz ultra-violeta, e portanto fazem com que a cerveja sofra mais com essa “contaminação por luz”, também conhecida como “lightstruck”. Garrafas de cor âmbar (a garrafa marrom tradicional) filtram muito mais o espectro UV, e, portanto, protegem a cerveja da criação excessiva de Isohumulones. Melhor ainda são cervejas totalmente protegidas da luz, como em garrafas de porcelana, vidro não-transparente ou até mesmo em latas. E por que  a Heineken não muda a cor da garrafa?  Simplesmente porque todo mundo já se acostumou com o gosto de zorrilho das Heineken. Mas sejamos justos, existem boas cervejas em garrafa verde, mas aí existe também um segredinho: apesar da       garrafa verde, as cervejas em questão foram mantidas desde o envase em ambiente escuro e refrigerado, expostas muito pouco à luz ambiente, e contavam com receitas menos sensíveis ao lightstruck (como uma boa Barleywine, por exemplo).

Fonte: Nerd aos 30