Downcycling – Upcycling e a Química

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Quando começamos a usar plásticos há cerca de 70 anos, não pensamos muito – se é que houve – nas implicações de sua vida útil e no fato de que podem levar séculos para se decompor. Consequentemente, à medida que os plásticos se diversificaram e se tornaram mais fáceis de fabricar, o planeta agora está preso com cerca de 8,3 bilhões de toneladas desse resíduo. Atualmente, em todas as partes do mundo existe um pedaço de plástico. Como o plástico é mais barato e mais fácil de produzir, ele é considerado um resíduo sólido desprezado por todas as camadas da sociedade.

Uma forma de reduzir esse processo selvagem de descarga do plástico é a agregação de valor, por exemplo, a reciclagem. É evidente que o esforço da introduzir um processo de reaproveitamento dos resíduos plásticos só é possível com ações públicas/privadas de transformação da economia linear e esbanjadora do plástico em uma economia circular e mais sustentável.

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Por outro lado, pesquisas científicas envolvendo o downcycling que é a transformação do plástico em moléculas, como as alquilaromáticos entre outros hidrocarbonetos, de alto valor ainda depende da otimização dos métodos catalíticos desenvolvidos até o momento, principalmente em termos de eficiência, custos de reação e energético. Ainda, o processo de downcycling para a obtenção de unidades moleculares básicas dos plásticos não tem boa relação custo-benefício. Outro aspecto a ser levado em conta é que o downcycling frequentemente leva ainda a obtenção de um produto de qualidade inferior

Por outro lado, o upcycling impulsiona os resíduos plásticos a voltarem à cadeia de abastecimento de plástico para serem reutilizados com uma valorização maior que originalmente tenha sido produzido. O significado da upcycling é que menos poços de petróleo serão perfurados, menos montanhas serão minadas, menos árvores derrubadas, entre tantas outras ações. Aliado a tudo, tem-se uma redução considerável do consumo energético.

O termo upcycling começou a ganhar força em meados dos anos 90 por Gunter Pauli. O conceito foi posteriormente incorporado por William McDonough e Michael Braungart em seu livro de 2002 Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things. Cradle to Cradle é a criação e qualificação de uma economia circular – Retake-Remake-Use-Return. É um design de produto inteligente que combina química, biologia e ciências ambientais com otimização e desenvolvimento de produtos. O conceito concilia indústria e ecologia fabricando produtos saudáveis e de alta qualidade. Com isso, a empresa não precisa mais se sentir culpada por seus impactos ao meio ambiente e porque o consumidor não é mais poluidor.

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